Cosméticos artesanais: cuidando naturalmente do corpo

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Nesse início de ano estamos nos dedicando à produção de cosméticos artesanais elaborados com ingredientes naturais e orgânicos, sem adição de conservantes e substâncias artificiais.

Fitoterapia com muito amor e ritualizando as plantas e todos os ingredientes, um por um!

Temos para pronta entrega para qualquer local do país (envio pelo correio):

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– ÓLEO REPELENTE  DE CITRONELA 30ml

– CREME ANTI-ESTRIAS PARA GESTANTES 60ml

– ÓLEO ANTI-INFLAMATÓRIO DE CANELA E GENGIBRE 30ml

– CREME ANTI-INFLAMATÓRIO DE BALEEIRA 60ml

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ELIXIR PARA TOSSE E GARGANTA 120ml – Spray para garganta e tosse feito de Guaco, Gengibre, Cravo, Poejo e Própolis.

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-LOÇÃO FIRMADORA DA PELE 100ml – Loção adstringente que ajuda na firmeza da pele da região abdominal, coxas e glúteos, indicada para o período Pós-Parto, quando da involução uterina, auxilia na retração e reestruturação da pele da região abdominal, trazendo firmeza e beleza para a pele da mulher.

– ÓLEO DE CALÊNDULA – Hidratante, cicatrizante e antifungico, é  indicado para  gestantes usarem na barriga para evitar estrias. Indicado para a higiene do bebê nas trocas de fraldas, substituindo o lencinho umidecido industrial, hidratando, prevenindo e tratando assaduras.

– LUBRIFICANTE ÍNTIMO DE SÁLVIA 30ml – A Sálvia é uma planta rica em fito estrógeno, sendo conhecida como a planta da mulher, o seu óleo é um ótimo lubrificante íntimo natural que auxilia na lubrificação e aumento da libido feminina. Indicado para ressecamento vaginal no período da amamentação (após os 1os 6 meses do bebê), na menopausa e para qualquer mulher ou casal que queiram experimentar o efeito mágico dessa planta medicinal.

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A mastectomia de Angelina: câncer, acupuntura e prevenção.

Hoje fui tomada por um sentimento de surpresa frente à notícia da dupla mastectomia realizada por Angelina Jolie a fim de evitar um câncer de mama.

Em minhas andanças e práticas tenho buscado sempre expor o caráter preventivo da Medicina Tradicional Chinesa frente à lógica ocidental de buscar o tratamento uma vez que o sintoma já esteja materializado como uma “doença”.

Minha surpresa hoje é com relação à lógica aplicada pela bio-tec-medicina com relação à prevenção do adoecimento: uma dupla mutilação do corpo feminino para evitar a expressão fenotípica de um gene chamado BRCA1.

Para quem não leu a notícia, Angelina Jolie, a famosíssima e linda atriz hollywoodiana publicizou hoje uma carta intitulada: “a minha escolha médica”.

Nessa, a atriz super segura com relação às decisões com relação a seu corpo declara ao mundo que, frente ao medo de desenvolver câncer de mama como foi o caso de sua mãe, que faleceu aos 56 anos vítima dessa doença, realizou um exame genético a fim de identificar a presença de certos genes (BRCA1 e BRCA2).

O exame apontou a incidência do gene BRCA1, o que levou ao diagnóstico fatal de ela ter 87% de chances de desenvolver câncro de mamas e nos ovários. Ela declara:

“Quando eu percebi a minha situação, decidi assumir a liderança e minimizar os riscos tanto quanto fosse possível. Decidi submeter-me a uma dupla mastectomia preventiva (…) Posso dizer aos meus filhos que não precisam de ter medo de me perder devido ao cancro de mama”.

Com relação à decisão da atriz, tenho muita admiração pela coragem e pela determinação sobre seu corpo (pois sim, acredito que “meu corpo, minhas regras”), assim como a preocupação com relação a que todas as mulheres pudessem ter acesso a tal exame (que custa U$3.000,00).

Mas as perguntas que ressoam em mim são com relação essa mutilação preventiva:

– não tem outro caminho para se evitar adoecer?

– tirar um pedaço do corpo retira do organismo os fatores etiológicos (de surgimento e desenvolvimento) da doença?

O_o

Bueno.

Meu objetivo com esse post é debater sobre como é que a medicina chinesa entende o câncer de mama, quais os fatores etiológicos da formação de nódulos (benignos ou malignos), o tratamento com acupuntura e…

como trabalhamos a prevenção para não adoecer!!

Naturalmente, a antiga medicina chinesa não se tinha o conceito de “câncer” ou de malignidade e não se diferenciava os nódulos mamários por benignos ou malignos. Entretanto, como uma “ciência empírica” (para outros: conhecimento tradicional baseado na observação empírica da natureza), os médicos antigos estavam atentos à seriedade ao mau prognóstico de certos tipos de nódulos mamários.

Os registros de médicos na China que descrevem casos de adoecimento das mamas com formação de nódulos são muito antigos, tais como o Discussion of the origen of diseases (Zhu Bing Yuan Hou Lun –  610 a.C) e Classic of Central Treasure da Dinastia Hun (206 a.C – 220 d.C). Nesses livros, entre outros, o termo “Ru Yan” é usado para nódulos mamários mais dificeis de tratar e que frequentemente levava à morte, enquanto “Ru Pi” era o termo usado para nódulos cuja descrição mais se aproxima de massas informes benignas.

Cito apenas esses dois clássicos apenas para dar ideia da antiguidade da construção desse saber milenar acerca da saúde feminina, onde são descritos os sintomas e estudados os fatores etiológicos e patológicos, assim como o tratamento e prevenção.

Para a Medicina Chinesa, o principal fator que causa a formação de nódulos nos seios (benignos ou não) é de ordem emocional. Preocupação, melancolia, tristeza, choros amargos, raiva, frustração, ressentimento, ódio, raiva reprimida e culpa: todos esses sentimentos causam o que chamamos em Medicina Chinesa de Estagnação do Qi e a longo prazo, Estase do Sangue que forma as massas (nódulos).

Em outras palavras: esses sentimentos comprometem a circulacão saudável de nosso fluxo energético, que com o tempo já não mais consegue circular o sangue, e a energia e o sangue parados começam a se materializar em tecidos/massas/nódulos. Além disso, “Qi estagnado por um longo período pode implodir e causar o fogo tóxico“; em outras palavras: essa estagnação de energia e sangue pode transformar-se em toxicidade térmica no organismo, gerando quadros “quentes” como tumores vermelhos, purulentos, febris.

Os órgãos lesados com esses sentimentos em mulheres são o Fígado, o Coração e o Pulmão.  [Lembrem-se: lesados energéticamente – estamos raciocinando dentro da racionalidade fisiológica chinesa!]

Outros fatores ligados à formação de nódulos mamários são excesso de trabalho que lesa o Yin, energia mais essencial ao feminino, e a desarmonia dos canais de energia Ren Mai e Chong Mai.
Os canais de energia (ou meridianos) do fígado, pulmão, coração, ren mai e chong mai chegam através de caminhos internos ou passam pelos seios ou próximo aos seios, manifestando-se na região. Os principais quadros de “fundo”- condições patogênicas – para o desenvolvimento de nódulos mamários são (dica para acupunturistas!):

Estagnação do Qi; Estase de Sangue; Acúmulo de Mucos; Calor Tóxico; Deficiência do Fígado e dos Rins.

Cada um desses “padrões”, que deve ser diferenciado numa boa anamnése, e tratamentos diferenciados devem ser levados a cabo. Enfim, sem adentrar muito em Filosofia da Medicina Chinesa, só quero mostrar que a origem da formação de nódulos nas mamas pode ser de vários lados diferentes. Isso quer dizer que o nódulo de uma mulher não terá a mesma origem que o da outra, o adoecimento é uma questão relativa, que depende de diversos fatores internos e externos da vida de cada um.

E a prevenção, entra onde?

A prevenção é a grande vantagem do método de diagnóse da Medicina Tradicional Chinesa, pois com muita antecedência, nos primeiros sinais de quaisquer dessas condições (antes mesmo de tornarem-se patogênicas) o acupunturista identifica na análise de sintomas e sinais, na observação da língua e pulso, e com a acupuntura já se trabalha em cima do sintoma para que não se enraize e se materialize organicamente.

Por exemplo, uma mulher que venha com queixas de depressão, formação de gases, constipação, língua levemente vermelha nas laterais e pulso em corda ja me diz “estagnação do Qi do Fígado” em estágio leve, discreto, sem manifestação de sintomas. Com o agulhamento proporcionamos o livre fluxo de Qi e liberamos essas emoções, auxiliando a manutenção do corpo-mente saudáveis.

Uma outra mulher que tem língua vermelha, insônia, suor noturno e visão borrada, me diz “deficiência do sangue/yin do Fígado” e essa mulher será tratada com agulhamento em outro conjunto de pontos. Nenhuma das duas acumulará sua desarmonia por anos até que se materialize e se expresse fisicamente.

E retirar um pedaço do corpo, evita o adoeciemento?

Pela lógica da Racionalidade da Medicina Tradicional Chinesa, não (!!).

Pode ser que sem seios, a gente não desenvolva o câncer nos seios, mas outras enfermidades podem se expressar pois o fundo de desarmonia energética, se estiver presente no corpo-mente, em algum outro lugar aparecerá.

Por exemplo, a primeira moça do exemplo acima, com quadro de Estagnação do Qi do Fígado, se não trabalhada pode estar associada ao surgimento de muitas (muitas mesmo!) outras patologias: quadros emocionais mais complexos, TPM, todos os tipos de formação de massas/nódulos/tumores, formação de calor interno levando a dores de cabeça, sangramentos, epitaxe, hemorragias uterinas, ovários policísticos, miomas, entre muitos outros.

E esse alcance às questões de fundo, de raiz, de origem ainda não substancial que é o diagnóstico energético da Medicina Tradicional Chinesa é uma enorme vantagem quando temos a possibilidade de trabalhar, como acupunturistas, no acompanhamento do estado de saúde e atuar preventivamente antes que algo mais sério e substancial se manifeste. 

Acupuntura é uma ótima ferramenta para manutenção cotidiano de nossa estado saudável, e não deveríamos esperar adoecer para buscar essa possibilidade terapêutica.

A patologia dos nódulos de mama é complexa e deve ser tratada com muita seriedade. Uma vez manifesta, a acupuntura auxilia no tratamento tanto sobre os nódulos, quanto sobre os efeitos colaterais dos tratamentos convencionais. Deve-se trabalhar, de preferência, em conjunto com outros profissionais de saúde especializados, e realizar um diagnóstico específico da MTC para cada pessoa, uma vez que o nódulo em si pode ser a manifestação de vários tipos de desarmonias energéticas que deve ser corretamente observada.

Se todas mulheres que desenvolvem o câncer de mamas tem o gene BRCA1, eu não sei.

Mas posso dizer, e para isso escrevo, que existe prevenção para que não se desenvolva o câncer de mama, sem precisarmos passar por mutilação preventiva.

Link da notícia:

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=651265&tm=7&layout=121&visual=49

 

 

benefícios da acupuntura na gravidez

A acupuntura é uma técnica chinesa de agulhamento de pontos localizados em meridianos de energia (Qi) no corpo que possuem funções de regulação física e energética do organismo. É um dos recursos de tratamento e manutenção da harmonia física e psíquica da Medicina Tradicional Chinesa, compondo junto com a dietoterapia, os exercícios físicos, a farmacoterapia e massagem tui-ná os 5 pilares dessa medicina milenar.
A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) é um sistema médico completo e milenar que foi desenvolvido no extremo oriente, principalmente na China, nos últimos 2000 anos. Diferente da Biomedicina que trata “doenças”, a MTC tem como foco evitar o adoecimento físico-emocional, possuindo um caráter preventivo de saude. Uma vez que surgem manifestações de sintomas de adoecimento, a MTC possui recursos para o tratamento desses, sempre resolvendo o sintoma (a “doença”), e realizando um tratamento de base de harmonização física e energética a fim de evitar o ressurgimento daquela doença ou sintoma. Baseia-se em uma filosofia e método de diagnose e tratamento próprio, a partir dos conceitos de Yin, Yang, os cinco elementos, os meridianos, onde quando há harmonia dessas forças no organismo, há saúde. Para a MTC, não deveríamos esperar ficar com sede para começar a procurar o poço, ou seja, o objetivo é não adoecer cuidando da individualidade de cada pessoa, ao invés de tratar doenças. Dessa forma a acupuntura é uma ferramenta de manutenção cotidiana da harmonia física e espiritual.
A acupuntura pode ser um recurso de harmonização do organismo físico e energético em todas as fases da saúde feminina. As mulheres por serem cíclicas e mais Yin em termos orgânicos, possuem características específicas que deveriam ser respeitadas a cada fase da nossa saúde feminina. Desde a regulação da menstruação até a preparação para a gravidez, todo o processo gravidez, parto e pós parto, o auxílio da acupuntura tradicional chinesa traz diversos benefícios para um bem estar, saúde e equilíbrio frente a todas as mudanças que nosso corpo e alma passa nessa linda passagem que é tornar-se mãe.
1 – Acupuntura antes da gravidez:
– regulação do ciclo menstrual
– melhoria da qualidade dos óvulos
– auxilio para tratamento em casos de infertilidade
– desintoxicação pós uso prolongado de anti-concepcionais sintéticos
– harmonização do organismo para minimizar incômodos durante gestação
– acompanhamento da concepção, nidação e fixação do ovulo fecundado
2 – Acupuntura durante a gravidez:
– minimizar incômodos de cada fase da gravidez: enjoo matinal, vômitos, refluxo, azia, gases, constipação, dores nas costas, enxaquecas, cansaço, edemas e inchaços, ansiedade, depressão, irritação, infecção urinária, corrimentos vaginais, má circulação, varizes, anemia, dor de ciático, etc.
– preparação da harmonia do organismo através da melhora da absorção de nutrientes para mãe e bebe, garantindo um desenvolvimento saudável para mãe e bebê na fase intrauterina.
– correção de má posição do bebê, como apresentação pélvica ou transversal;
– tratamento de apoio em quadros de maior risco, como em caso de perda de sangue, bebe que não está crescendo, hipertensão, hipotensão, diabetes gestacional, obesidade, tabagismo, placenta prévia, pré-eclâmpsia.
3 – Acupuntura no Trabalho de Parto:
*obs: a acupuntura no Trabalho de Parto só deve ser feita caso já haja o acompanhamento do acupunturista com a parturiente, pois já tendo um diagnóstico anterior sabe-se as tendências de harmonia/desarmonia de cada organismo, podendo contar com o caráter preventivo da técnica.
– indução de trabalho de parto
– analgesia
– relaxamento
– regulação de contrações e dilatação
– auxilia na descida do bebe
– estancar hemorragias, resolver retenção de placenta;
4 – Acupuntura Pós-Parto: “Golden Month”
O pós-parto é um momento que há uma perda energética muito grande por parte do corpo e alma da mulher, seja por via vaginal ou cirúrgica. Dessa forma, a acupuntura é uma ferramenta importante para restaurar a energia a fim de garantir um resguardo com saúde e equilíbrio físico e orgânico. Pode ser usado no dia seguinte do parto, auxiliando também:
– a involução uterina
-regulação da descarga de lóquios
– amamentação
– evitar depressão pós-parto
– desintoxicação e cicatrização pós-cirúrgica
– dificuldade de urinar/evacuar
– hemorróidas
– dores abdominais
-prolapso uterino, de bexiga, de assoalho pélvico.
* O parto e o pós-parto é, para a MTC, um momento de cura do organismo feminino, sendo aproveitado para resolver desequilíbrios crônicos anteriores à gravidez. Portanto, há certos quadros que, com o cuidado adequado no pós-parto, pode-se evitar que sigam ocorrendo, tais como enxaquecas, síndrome dos ovários policísticos, problemas menstruais, problemas circulatórios, entre outros.

 

A Gravidez e os Cinco Elementos na Medicina Tradicional Chinesa

Texto apresentado na Palestra “Acupuntura na Gravidez” no 1o. ENAPEA/PE

Na visão da Medicina Chinesa o universo é classificado entre os Cinco Elementos, e o mesmo ocorre com o corpo e a psiquê humana. Partirei de uma perspectiva das funções dos cinco elementos e seus relativos órgãos diretamente associados à saúde da gravidez a fim de facilitar o entendimento de quais as funções orgânicas que são importantes de observar e levar em conta quando trabalhamos com gestantes. Os principais elementos relacionados à dinâmica energética dos ciclos femininos são: Terra, Madeira e Água. O Fogo tem importância secundária e o Metal não costuma ser diretamente relevante na fisiologia feminina.

ELEMENTO TERRA

O Elemento Terra representa propriamente a energia da fertilidade, mãe terra, Pacha-Mama, onde se desenvolvem os frutos dos quais nos alimentamos. O útero, os óvulos, o líquido amniótico e o leite materno pertencem a essa energia. Terra está ligada à nutrição e formação do Sangue. O Sangue (Xue) é uma forma condensada de energia, predominante na fisiologia feminina e intrinsecamente ligada à reprodução.

A produção do Sangue (Xue) ocorre através da transformação dos nutrientes adquiridos na nossa alimentação, permitindo a renovação do Qi, Jing, Xue, líquido amniótico e produção de leite materno. Dessa forma, devemos considerar que o conceito de Xue é muito mais abrangente que o Sangue que corre nas veias, e essa energia é regida pelo Elemento Terra. O Sangue (Xue) engloba a noção ocidental de sangue, mas extrapola esse conceito abrangendo a saúde do Yin no organismo, incluindo no conceito de XUE o Endométrio, o Óvulo, o Líquido Amniótico, o Leite Materno. Relaciona-se com a fertilidade pois nutre o Útero e Endométrio a fim de garantir a implantação saudável do embrião.

Os órgãos regidos pela Terra são o Baço-Pâncreas e o Estômago. O Baço-Pâncreas atua na produção do Sangue e do Qi Pós-Celestial, no controle do Sangue nos vasos e no controle do acúmulo de Umidade. Quando em desequilíbrio, poderá ocorrer disfunções do Sangue, como hemorragias, alteração da fertilidade, ou desfunções associadas ao acúmulo de Umidade, gerando edemas, diarréia e leucorréias crônicas.

ELEMENTO ÁGUA

O Elemento Água se relaciona com os Rins e com a Bexiga, onde destacamos o Jing (Essência) como a qualidade de herança genética, que é regida pela energia Água. Dessa forma, os gametas nos óvulos e espermatozóides estão ligados à energia dos Rins, mais especificamente ao Yin dos Rins (Jing), assim como a energia da bolsa das águas, das membranas que mantém o líquido amniótico intacto no ventre. O bebê fica 9 meses dentro da bolsa das águas, e o líquido amniótico é a energia vital intrauterina, é Jing puro, tanto que esse líquido maravilhoso tem o mesmo cheiro que esperma. O Jing é Água, é a energia vital transmitida, é a expressão da genética propriamente.

O Jing é a essência vital, também chamada Energia Essencial. Reside nos Rins e armazena o código genético, por assim dizer, dando a base orgânica estrutural a formação da nova vida. É a Essência reprodutora, a herança genética transmitida, e sua qualidade depende do estado geral de saúde dos pais no momento da concepção. O Jing herdado determina a constituição básica do feto, assim como a capacidade que essa nova vida terá de se reproduzir. Nas mulheres, está associada à saúde dos ovários e à saúde hormonal. A literatura de Medicina Tradicional Chinesa definem o Jing como o produtor de Tian Gui, a “água celestial”, que origina o sangue menstrual e garante a saúde da concepção e a nutrição do feto durante a gravidez.

O Yang dos Rins é responsável pelo fechamento do colo do útero, e por manter o bebê no útero através da energia que circula em Bao Luo. Disfunções dessa energia podem resultar em abortos.

Outra característica é que os Rins são a residência de Zhi, Energia Espiritual ligada a força de vontade e à capacidade de adaptação. A capacidade de adaptação da gestante é altamente necessária e constantemente exigida pela gravidez, e depende do estado da energia Água, quanto melhor estiver, mais tranquilamente passará pelo processo da gestação e melhor será a qualidade da saúde da mãe e do bebê.

A energia Água relaciona-se, portanto, aos Rins, Jing, Zhi, Yin, gametas e bolsa das águas. Com relação à Bexiga, é mais importante o Canal da Bexiga, cujos pontos movimentam a água e influenciam o Útero. Esses pontos, principalmente os abaixo do joelho, devem ser evitados durante a gravidez, pois estimulam contrações uterinas, sendo úteis para indução de parto.

ELEMENTO MADEIRA

O Elemento Madeira representa os ciclos de vida e da natureza, de renovação, mudanças na vida e envelhecimento. Ligado ao elemento madeira está o Fígado e a Visícula Biliar, sendo o primeiro central na saúde reprodutiva feminina. O Fígado armazena o Sangue (Xue), que é sustentado pelo Yin dos Rins e do Fígado. É responsável pelo livre fluxo do Qi, e em desequilíbrio pode levar a enjôos gravídicos, insônia, edemas, perda de sangue, hemorragias quentes e eclâmpsia.

ELEMENTO FOGO

Ao Elemento Fogo associa-se na saúde reprodutiva a energia do Coração. O Coração (Xin) é a morada de Shen (mente), e através de Shen que damos a permissão para a chegada do novo espírito que é o bebê. É o Shen dos pais que concede a permissão para a concepção acontecer. O Shen compreende tanto os níveis espirituais mais elevados quanto a consciência. É a capacidade criativa e relacional, e depende de certa forma da força do Jing. É o aspecto psíquico relacionado ao Coração, e quando saudáveis, existirá a estabilidade mental e satisfação pessoal. O Shen rege o encontro do Yin e do Yang, e é responsável pela fecundação. Quando em desarmonia, poderão ocorrer distúrbios na menstruação e infertilidade, assim como dificuldades emocionais durante a gravidez, parto e o pós-parto.

A sexualidade e o desejo são regidos pelo elemento Fogo, sendo esse o mestre do desejo, da emoção e da afetividade. O Fogo se comunica com a Água (Rins), ativando Jing pelo qual se expressa a fertilidade.

O Coração comanda o Sangue e as funções mentais. Junto com os Rins, representa na Medicina Tradicional Chinesa o eixo entre os ovários e o cérebro, coordenando os ciclos hormonais.

O eixo reprodutivo é estruturado pela relação entre Fogo e Água. Por isso é que se explica a relação entre o estado emocional e o ciclo menstrual, a fertilidade e parto. No Trabalho de Parto, a dilatação do colo do Útero depende totalmente da liberação das emoções, do abandono da racionalidade.

Com relação a abertura de dilatação do colo do útero, é importante ressaltar que não existe corpo que não dilata, como muito usualmente se fala por ai. O limite físico para um parto vaginal depende dos ossos do assoalho pélvico, que podem sim ser estreitos e dificultar a passagem do bebê. Agora, se o colo do Útero dilata ou não, isso depende da mulher permitir-se conectar às suas emoções durante o trabalho de parto, sentir-se segura e amparada. Parir é emoção, intuição.

ELEMENTO METAL

O que devemos levar em conta com relação ao Elemento Metal é Po, aspecto psíquico e espiritual relacionada ao corpo físico, que é a alma corpórea, que reside no Pulmão. É o Po da mãe que orienta a formação do Po do bebê, que ajuda a concentrar e condensar a energia para a formação e estruturação da pessoa que chega. Quando uma mulher tem uma relação difícil com seu corpo, muitas vezes por ter sofrido abusos e violências anteriores à gravidez, poderá ter maiores dificuldades e relação distante com seu corpo, e poderá refletir em dificuldades em desempenhar as funções maternas, influenciando sua relação com o próprio corpo na gestação, parto e amamentação.

A Acupuntura e trabalhos corporais (massagens, exercícios) ajudam a reestabeler o Po materno e influenciam de forma benéfica e indireta o bebê.

::Provérbios chineses sobre a saúde infantil::

Dando continuidade ao post anterior, esse texto abaixo é mais voltado para os praticantes da Medicina Chinesa.

A Medicina Chinesa é transmitida através de pequenos ditados ou provérbios de saberes clássicos dos grandes mestres. Alguns desses provérbios falam sobre as diferenças entre adultos e crianças na tradição dessa medicina. Abaixo, os provérbios e rápida explicação.

1 – XIAO ER PI BU ZU“O Baço da criança é frequentemente insuficiente”

Esse provérbio chinês se refere ao papel que o Baço-Pâncreas tem no funcionamento da fisiologia energética e no metabolismo, uma vez que em MTC o Baço governa o processo de digestão, absorção dos nutrientes do alimento ingerido (é a fonte do que chamamos de Qi pós-celestial) e é o responsável por transformar e transportar a energia do alimento para a produção de Qi (que é o sopro da vida) e Sangue. Quando o Baço, que precisa de energia yang para exercer bem suas funções, é fraco, temos indigestão e acúmulo de líquidos. Em outras palavras, para os chineses, todas as crianças, até os 7 anos, tem tendência a indigestão. Além disso, a produção de muco – catarro – se origina aí, e daí a tendência infantil de produção de coriza e catarro com relativa facilidade.

2 – XIAO ER YIN BU ZU – O Yin das crianças frequentemente é insuficiente

Essa afirmação se refere ao fato que quando nascemos, somos mais energia em um corpo pequeno, somos mais Yang do que os adultos – daí que todos os processos são rápidos, adoece rápido, se cura rápido. Em função disso que se explica por que as crianças tendem a ter quadros de calor (febres altas, doenças agudas de rápido desenvolvimento). Essas febres, se não baixadas, acabam solapando mais e mais a energia yin que está em maturação, portanto, na visão da MTC, é importante baixar as febres muito altas e duradouras para evitar o comprometimento da energia Yin durante a fase adulta, podendo gerar quadros de doenças crônicas pela deficiência do Yin.

3 –ZANG FU JIAO RUO, QI YI CHU DAO – “Órgãos são frágeis e suaves, o Qi facilmente sai do seu caminho”

Esse ditado refere-se ao fato de as crianças serem delicadas, por isso o ataque de fatores externos de adoecimento (como o frio, umidade, calor ambiental, vento, etc) provocarem, com relativa facilidade, distúrbios como resfriados e as tais viroses.

4 – FA BING RONG YI, CHUAN BIAN XUN SU – “Crianças adoecem facilmente e sua doença rapidamente se torna séria”

Dando continuidade aos ditados anteriores, esse provérbio refere-se ao fato de que a velocidade em que a patologia se desenvolve nas crianças.

5 – ZANG FU QING LING, YI QU KANG FU – “Órgãos e vísceras são claros e vivos. Rapidamente recuperam a sua saúde”

Embora com rapidez o quadro de desarmonia se agrava, felizmente, o organismo infantil possui uma capacidade de convalescença muito alta, respondendo imediatamente a todas as formas de tratamento. Isso acontece não somente em termos físicos mas também em termos da ligação entre saúde e espírito (shen), onde entra o fato de crianças serem facilmente afetadas pelas emoções, de onde se explica a influencia das emoções tanto das crianças quanto dos adultos que as rodeiam e seu estado geral de saúde (as somatizações). Assim, sentimentos como tristeza, ansiedade, raiva podem adoecer rapidamente uma criança, e sentimentos bons também contribuem para acelerar o processo de recuperação da criança.

6 – GAN CHANG YOU YU – “O fígado frequentemente adoece”

Esse ditado se refere à facilidade em que o yang do Fígado se eleva e gera vento, o que em termos ocidentais se refere às convulsões febris infantis. Além disso, quando há acúmulo de alimentos no Estômago pela fraqueza do Baço, pode levar ao aquecimento e estagnação do Fígado, gerando quadros de calor no sangue (como as eczemas infantis, e até mesmo asma), que devem ser tratados principalmente com foco na alimentação, além de técnicas para suavizar o livre fluxo do Qi. Resulta que em crianças, quando apresentam sinais de desequilíbrio em Fígado, devemos logo pensar em acúmulo de alimentos.

7 – ZHI MU YI ZHI ZI – “Tratar da mãe para tratar da criança”

Por último mas não menos importante, o vínculo fusional entre mãe e filho também é de extrema importância sob a ótica da Medicina Tradicional Chinesa, onde devemos sempre levar em conta que, se houver um adoecimento da criança, a mãe também sofre um desgaste emocional e físico e deve ser cuidada, assim como a energia psíquica e física da mãe reflete no bebê e na criança. Assim, o desequilíbrio da mãe pode se manifestar como o adoecimento do filho, devendo o terapeuta cuidar de ambos e ajudar a mãe a perceber esse vínculo.

*fonte: Acupuntura no tratamento da criança – julian scott

Acupuntura em Crianças

Quando minha primeira filha nasceu, eu decidi aprender acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa, e iniciei minha trajetória nesse lindo caminhar de tornar-me terapeuta.

Comecei cuidando de pessoas no ambulatório da escola de acupuntura, mas em casa, cada vez que tínhamos que enfrentar uma situação de febre ou adoecimento da nossa bebê, o susto era imenso e o medo de algo sério acontecer apertava o coração.

Olívia foi uma bebê de febres altas. No começo do meu maternar corri algumas vezes assustada para a emergência do hospital pediátrico, com medo de complicações. Chegava lá, e na grande maioria das vezes, o médico sem nem fazer análise clínica (olhar garganta, ouvidos, etc) já encaminhava a pequenina para hemograma e exame de urina: coletas violentas e altamente traumáticas que sempre davam em nada. O diagnóstico sempre vago vinha em seguida do exame: deve ser virose.

Acho que foi umas 3 vezes o suficiente para eu chegar a uma conclusão: me prometi que não mais levaria ela na emergência e que eu aprenderia a cuidar dela e discernir quando realmente se faz necessário entrar com alopatia. Fui atrás de ter uma boa pediatra para eventualmente acompanhar nosso processo, mas no fundo no fundo, cuidar de Olívia se tornou minha primeira grande escola prática de saúde. Laís, a segunda filha, nunca entrou em um hospital.

Aprendi e aprendo cada dia mais a ver o adoecimento como um sinalizador de como anda o corpo, a mente, as emoções e as relações da vida das minhas filhas; um auxiliar nos caminhos para a maturação e desenvolvimento delas. Quando a febre vem, já sei que junto acompanha um processo de alguns dias, que exigem paciência, observação dos sintomas e sinais e sua evolução e a tranquilidade de recorrer aos métodos naturais de sustentação da harmonia saudável e extinção dos fatores patogênicos. E mais: aprendi a prevenir o adoecimento, atuando antes do desequilíbrio chegar ou em seus primeiros sinais.

O que me permite hoje agir com segurança na manutenção da saúde infantil  foi o aprofundamento nos meus estudos e prática da Acupuntura. E faz um bom tempo que ninguém adoece aqui em casa!

A pediatria vem sendo desenvolvida como área de saber médico em Medicina Tradicional Chinesa desde a dinastia Ming, entre os anos de 960 e 1279 dC. A partir de então, os médicos chineses reconhecem que as crianças possuem diferenças constitucionais com relação à saúde adulta, e desenvolveram métodos seguros de diagnóstico, tratamento e prevenção da saúde infantil.

Apesar de haver muita produção e prática de cuidados em crianças na China, principalmente após 1949, no Ocidente e aqui no Brasil a maior parte das pessoas desconhece a possibilidade de cuidar da saúde infantil com Acupuntura em Medicina Chinesa. Existe, inclusive, uma ideia equivocada que roda no imaginário social de que seria contra-indicado o uso de acupuntura em crianças menores de 7 anos.

Pois estou aqui hoje escrevendo esse post para trazer a publico a ideia contrária: existem muitos benefícios no uso das técnicas da Medicina Chinesa no acompanhamento da saúde infantil, desde o nascimento se preciso for. E mais: existem particularidades desse período da vida, antes dos 7 anos, que os chineses identificaram que nos ajuda a entender os ciclos de adoecimento infantil, desde as febres agudas até os quadros de doenças mais crônicas. E o melhor: podemos tratar, prevenir e curar os desequilíbrios infantis com muita segurança e rapidez com a acupuntura e outras técnicas da Medicina Chinesa.

Com as técnicas de acupuntura em Medicina Chinesa, podemos cuidar de todo tipo de mal estar, desde as cólicas em bebês, as gengivas inchadas da dentição, até distúrbios mais sérios e crônicos dos sistema respiratório (como asma, bronquite, amigdalite), digestivos (vômitos, diarréias), e outros problemas como otites, cistites, conjuntivites, eczemas, diabetes, estomatites, enurese noturna, epilepsia, convulsões, doenças virais, problemas visuais (como miopia, estrabismo), etc etc etc.

Crianças com sindrome de down, ou algum trauma de nascimento físico ou mental que exija cuidados especiais pode contar com a acupuntura como coadjuvante no seu crescimento e desenvolvimento.

Também cuidamos de aspectos mais sutis, como hiperatividade ou terrores noturnos, ou até quadros de tristezas, quando necessário, sendo completamente desnecessário expor ou submeter crianças a tratamentos agressivos com o uso de medicamentos psiquiátricos da indústria farmoquímica como se tem feito com frequência e total banalização nos consultórios médico e escolas.

As principais técnicas de tratamento em crianças são:

1-Acupressão: acupuntura sem agulhas. Basta o estímulo correto sobre os pontos, com massagens ou com sementes fixadas sobre os pontos, ou até um objeto pontiagudo ou as cerdas de escovas de dentes… as crianças reagem a qualquer estímulo bem intencionado;

2 – Acupuntura Sistêmica: acupuntura com agulhas. A maioria das pessoas acha complicado o uso de agulhas em crianças, mas tenho tido uma ótima experiência e aceitação, principalmente se as mães estão tranquilas com a aplicação. A aplicação é indolor e usamos o mínimo possível de agulhas (2-4 em geral). Pode ser associada com o uso de calor (moxa) ou ventosa – esses últimos podem ser usados sem agulhas também.

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Agulhas de acupuntura

3 – Stipper: pequenos algodões que contém cristais de silicio, são fixadas sobre pontos de acupuntura com esparadrapo e ficam 5 dias atuando sobre a região, ativando as funções dos pontos. Sem furos e indolor. As vezes uso associado com a aromaterapia e com florais, pingando no stipper uma gotinha dos óleos essenciais indicados para cada criança e problema a ser cuidado antes de fixá-lo.

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Stipper

4 -Aurículoterapia: fixação de sementes e esferas do ouro e prata sobre os pontos reativos no pavilhão auricular, as bolinhas são fixadas com esparadrapo e ficam 5 dias atuando no reequilíbrio energético do paciente. Extremamente eficaz para todos os tipos de distúrbios.

Imagem Mapa aurícular

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Esferas de ouro para aurículoterapia

5- Cromoacupuntura: usando uma caneta que emite uma luzinha através de um cristal de quartzo, escolhemos as cores de acordo com os objetivos terapêuticos, que deve ser emitido sobre os pontos de acupuntura no corpo por um minuto cada.

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Caneta orgônica de cromopuntura

Essas são as principais técnicas empregadas em minha prática terapêutica com crianças, que tem sido de muita aprendizagem e de bons resultados.

Quaisquer dessas técnicas devem ser a expressão de um entendimento da matéria médica a partir da racionalidade médica chinesa. Não basta somente a técnica, sem uma compreensão dos processos fisiológicos e energéticos que nos permitem obter a compreensão da desarmonia que está sendo expressada em cada organismo. Isso serve para qualquer acupuntura.

Sempre que cuidamos de crianças, devemos buscar o maior resultado com o mínimo de pontos a serem estimulados, daí a importância de um bom diagnóstico feito por um acupunturista.

sobre mulheres-bunda sem rosto – violência sexista e indústria cultural

O 25 de novembro é o dia de combate à violência contra as mulheres. Dia de blogagem coletiva.

Fiquei pensando o que escrever em um blog que se propõe a falar de saúde da mulher e acupuntura. Eu poderia escrever sobre a violência doméstica, obstétrica, verbal; sobre os efeitos psicossomáticos da violência simbólica, enfim… pontos de partida não nos faltam.

Acontece que as reflexões que aqui estão escritas não falarão exatamente de acupuntura, mas de uma acupunturista, MULHER que, por um dia ter sido violentada, hoje pensa, reflete e se dedica a cuidar da saúde de outras mulheres.

Ontem em função de festa na escola das crianças e pagodão na casa vizinha a minha aqui em Olinda, com o som nas alturas dos hits mais pop da música enlatada brasileira até tarde da noite, não consegui sentar para escrever. Assim, o post vem  com atraso, mas não menos engajado numa luta que é de todos os dias.

Mas foi durante o show dos pagodes enlatados (aos quais pude assistir de camarote por estarem praticamente dentro do meu quintal) que as primeiras ideias acerca do que escrever começaram a ecoar em mim… a inspiração.

As músicas, todas com a mesma batida trélélé, são todas recheadas de letras e ideias machistas pasteurizadas de sexualidade e  mulheres. O que mais me impressiona é a mulherada da balada ecoando, cantando e representando através de passos de danças a ideia de mulher objeto sexual que tanto as músicas falam… Rebola, arrocha, esfrega, agarra, pega, esfrega, nem sei mais os verbos mil da pegação das músicas pop bregas.

Apesar de serem revestidas de um envelope de romantismo, as músicas que passei horas do meu domingo ouvindo falam, sem excessão, de um ponto de vista de homens que querem beijar, pegar, comer mulheres, e mulheres cujo foco é seduzir os homens para serem consumidas, devoradas. Pérolas tais como “vou no banheiro, para gente se beijar”, “eu te pego de jeito”, “eu sou assim, beijo todas e amanhã não lembro mais” e o escancarado “quero te comer”  ipsis litteris (e outras parecidas) são os refrões que (pasmem!) mais fazem sucesso dentre as piriguetes, como são referidas pelo cantor, as mulheres desse público. Loira gelada ou a morena quente; não importa, cerveja e mulher na prateleira para o deleite masculino.

Para mim a violência contra as mulheres começa aí, bem aí: no lugar comum, no quase inocente. Nas músicas que tocam por todos os lados e que as meninas desde muito novinhas aprendem a dançar e rebolar, cantando “eu quero thu, eu quero tha”… Está no produto cultural esdrúxulo que coloca no mercado as infinitas formas de violência simbólica contra as mulheres no conteúdo cotidiano que passa desapercebido nas rádios, televisão, festas, na mulher melancia, mulher pêra, e tantas outras mulheres bundas sem rosto. É o papel que a indústria cultural se presta de retroalimentar um inconsciente social e coletivo do lugar da mulher na sociedade: na cama e de preferência, de pernas abertas. E claro, malhada e gostosa; como a música que foi hit do outro verão, mas ontem todos cantaram umas duas vezes: “entrei na academia, malhei e malhei. Dei a volta por cima e hoje te mostrei meu novo namorado, pensou que eu ia chorar por vc…”

Na minha modesta opinião, as pessoas deveriam se valorizar pelo que elas são: pessoas.

E pessoas devem se valorizar e ser valorizadas pelo simples fato de existir; mulheres, homens, crianças, idosos, negros, indígenas, caiçaras, catadores, mendigos, brasileiros, argentinos, palestinos. TODXS.

Infelizmente não é o que vemos por aí afora. No caso da violência contra as mulheres, as próprias mulheres são ensinadas a ensinar seus filhos e filhas a pensarem como as músicas pop-bregas, reproduzindo o padrão cultural que aprisiona os conceitos que se tem de “ser homem”, “ser mulher”, “relação amorosa”, “sexo”, “sexualidade”, “corpo”, “imagem”… “padrões estéticos” e comportamentos sociais esperados.

É dentro do conteúdo cultural da indústria audiovisual capitalista que estão as repetidas violências cotidianas e invisibilizadas pela pasteurização a que estamos expostas. E expostos.

Porque os homens também são violentados ao serem colocados nesse papel de macho alfa, de super testosterona e virilidade, sendo ao longo de suas vidas deseducados pelas famílias, inclusive suas mães, que não os permitem acessar e expressar sensibilidades, sentimentos, choros, medos, dúvidas. A violência contra as mulheres viola também a ética masculina de todos os homens sensíveis que respeitam suas mulheres. Seria injusto dizer que a culpa é dos homens. Injusto e simplista.

Estamos frente a um modelo social e cultural herdeiro do patriarcalismo, onde as estruturas sociais, o Estado, a Igreja, o Exército, a Escola, a Indústria, a Universidade, a Medicina, a Política e tudo o mais ressoam o “modelo masculino patriarcal” do século XVIII, no mínimo. A violência sexual, doméstica, obstétrica partem todas de um mesmo lugar: a desigualdade que se acredita existir entre a potência masculina e a fragilidade feminina.

Fragilidade e sensualidade: o pecado original bíblico das mulheres. Eva, que é fruto de uma costela masculina, se envolveu com a tal da cobra e maçã. E desde então, somos culpabilizadas pelo desrespeito e pelas violências que sofremos, afinal de contas, é a  mulher que estava de shortinho sensual e bêbada, dançando o thu e o tha, que acaba sendo estuprada no fim da festa – fazendo exatamente aquilo que aprendeu desde menina assistindo show da xuxa, faustão e zorra total. Ouvindo os the best of das rádios pop.

E é nesse círculo viciado que se constrói o discurso violento em si mesmo da cultura do estupro. Da cultura da violência de sexos que escutamos com frequência por aí, nas ruas, nos ônibus, nos programas da televisão, nas escolas, nas universidades, dentro de casa, nas maternidades…

E o pior: o discurso é acompanhado, não raras vezes, pela prática da violência.